Antes de morrer, todos nós deveriamos escrever um livro. Sei que é difícil lembrar de tudo o que fizemos nos minímos detalhes, e as vezes muitas coisas ‘escapam’ quando tentamos fazer esse exercício. E outros pequenos detalhes são acrescentados, como se estivessemos sintonizando o canal, com aquilo que gostariamos que tivesse sido. Nada que prejudique o final da nossa história.

Pelo retrovisorMesmo assim, seria muito interessante relembrar e compartilhar todas as ‘pegadas’ que deixamos nesse mundo. Onde estudamos, nossos professores, onde brincamos, de que brincávamos, o nosso primeiro amor platônico, os nossos 15 minutos de fama, enfim. Tenho certeza que curiosos leitores não nos faltariam. Principalmente quem nos conhece, conheceu, ou vai nos conhecer antes de morrermos.

E sabe o que é bom, dessa forma teriamos a oportunidade de aproveitar melhor os nossos dias. Seria a chance de reavaliar tudo o que fizemos e de poder criar aquela boa lista com coisas que gostariamos de fazer antes de morrer.

Existem coisas das quais me arrependo de não ter feito. Me arrependo de não ter me declarado àquela garota na infância. E de ter ignorado a outra quando essa se declarou. De não ter guardado uma moeda que encontrei logo que cheguei ao Japão. Penso nas coisas que poderia ter feito quando tive a chance. Nas viagens que poderia ter feito. E como poderia estar hoje se tivesse estudado quando poderia. Penso naquelas pessoas que passaram por minha vida, e que perdi completamente o contato. Penso nas gafes cometidas, no comportamento inadequado em certas ocasiões, mas que foram divertidas e faria novamente se tivesse a oportunidade. Penso nos momentos bons.

No entanto, pensamentos são rápidos relances, onde é possível como num piscar de olhos, lembrar da silhueta e do rosto das pessoas, do formato de objetos em lugares por onde passamos, de coisas que fizemos. No pensamento, os detalhes são vagos. O nome das pessoas, o que faziamos de bom juntos. Os pingos nos ‘is’ das placas que vimos nos pontos em que estivemos. Tudo fica evidente quando escrevemos.

Faça isso, e veja como é bom!

Contudo, tenha em mente que serão apenas lembranças. Lembre-se de que nunca poderemos voltar ao passado para “fazer diferente”. Mas felizmente, essa será sua oportunidade para que a partir desse dia, tudo faça sentido em sua vida. Afinal, o presente é como o seu homônimo, algo que nos é ofertado durante toda nossa existência.

Não sabe por onde começar? Que tal o dia em que você nasceu…

Imagem: nextcat

Por falar em passado: